Quem me acompanha sabe que 2025 seguiu a tendência de 2024: li mais não ficção do que ficção. Mas confesso que, no ano passado, me permiti explorar temas mais variados e mergulhar em análises que realmente expandiram minha forma de ver o mundo. Como profissional do mercado editorial, acredito que nossa bagagem de leitura é um dos nossos maiores patrimônios — e compartilhá-la é uma maneira de conectar ideias e inspirar novas descobertas.
Então, ainda que já estejamos em 2026, decidi trazer meu top 5 de não ficção de 2025. Os livros não estão em ordem de preferência — cada um tem seu valor único e tocou em questões diferentes para mim. Vamos conversar sobre eles?
Filhos do céu e da ursa – Emiliano Unzer
Mais do que um livro de história, esta obra é uma verdadeira chave para entender a Coreia do Sul contemporânea. O autor nos conduz desde as origens até o século XXI, mostrando como a identidade coreana foi forjada em meio a invasões e, especialmente, na dor da ocupação japonesa. A abordagem não se limita aos eventos políticos — ela abrange aspectos sociais, econômicos e culturais que definiram o país. Uma leitura essencial para quem quer compreender as raízes de uma das nações mais fascinantes do nosso tempo. Ah, e tenho um carinho especial por esse trabalho: revisei essa edição, que foi preparada pela talentosa Luara França.
A ciência do desconforto – Dra. Maíra Soliani
Este livro é um manual prático e acessível sobre um conceito fascinante: a hormese. A Dra. Maíra explica como pequenas doses de agentes estressores — que, em grande quantidade, fariam mal — podem, na verdade, fortalecer o organismo. Com uma base científica sólida e prefácio do Dr. Jason Fung, a autora traduz conceitos complexos para o dia a dia, abordando práticas como o jejum intermitente. Uma leitura que combina ciência, saúde e aplicabilidade de forma leve e inteligente.
Save the cat! – Blake Snyder
Para quem trabalha com narrativas — ou simplesmente ama entender como grandes histórias são construídas —, este é o manual definitivo. Snyder apresenta a fórmula dos 15 Beats, uma estrutura narrativa que garante solidez do início ao fim. A regra de ouro? A cena do “salve o gato”, que gera empatia instantânea pelo protagonista. O livro é direto, prático e desvenda a mecânica por trás de roteiros famosos. Leitura obrigatória para escritores, roteiristas e curiosos do storytelling.
Não aguento mais não aguentar mais – Anne Helen Petersen
Este livro foi terapia pura para mim. Anne Helen Petersen define o burnout millennial não como um colapso pontual, mas como um estado permanente. Sua crítica não é individual — é estrutural, apontando para a precarização do trabalho e a cultura tóxica da produtividade. Foi um alívio encontrar uma análise que descrevesse com tanta clareza nosso mal-estar coletivo. Leitura necessária para quem busca entender (e nomear) as pressões da nossa geração.
O pobre de direita – Jessé Souza
Uma das análises mais fundamentais para entender o Brasil atual. Jessé Souza investiga por que parcela significativa das classes mais pobres apoia políticos e pautas que, em tese, vão contra seus interesses. Para ele, a resposta está na moral e no reconhecimento: o discurso da direita consegue tocar em feridas morais profundas — sentimentos de abandono, humilhação e falta de respeito. E a raiz dessas feridas? O racismo estrutural. Um livro corajoso, denso e indispensável.
E agora, conta para mim:
Você já leu algum desses? O que achou? Costuma ler não ficção? Tem alguma indicação?
Filhos do céu e da ursa – Emiliano Unzer
A ciência do desconforto – Dra. Maíra Soliani
Save the cat! – Blake Snyder
Não aguento mais não aguentar mais – Anne Helen Petersen
O pobre de direita – Jessé Souza


